| S | T | Q | Q | S | S | D |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 2 | 3 | 4 | |||
| 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 |
| 12 | 13 | 14 | 15 | 16 | 17 | 18 |
| 19 | 20 | 21 | 22 | 23 | 24 | 25 |
| 26 | 27 | 28 | 29 | 30 | 31 |
Foto antes da UltraMaratona de São Caetano 2007
Depois da corrida fui ao encontro das meninas da nutrição que recolheram a minha urina e me pesaram novamente. Meu peso após a corrida era de 71,1kg, ou seja, perdi 3,4kg em 6 horas. Eu estava literalmente moído, mas cheguei a onde eu queria, completei a ULTRAMARATONA DE SÃO CAETANO de 6 HORAS DURAÇÃO, percorrendo uma distância de 52.528m e terminando em 4º na minha categoria, não deixando o número 47 me passar.
Isto serviu para mostrar a todos que não acreditaram nem me apoiaram que a disciplina, determinação e força de vontade fizeram eu conseguir superar meus limites e alcançar meus objetivos. Gostaria de agradecer a Deus, as meninas da Nutrição (em especial a Daniela), ao Carlos (organizador da ultramaratona) e todos os outros que contribuíram para que a corrida acontecesse.
“Os limites são pontos por onde temos que passar para vislumbrar um novo ponto a ser alcançado”
(Eugênio Mello – 08/04/2007 – 23:25)

criado por eugenio_reis
20:46:54• 15:30hs às 16:00hs – O final – Eu estava com o controle remoto ligado, as dores em todo o corpo já eram tão intensas e constantes que meu corpo e minha mente estavam se acostumando e eu corria 600 metros e andava 200 metros num ritmo de que meu corpo suportava e nada mais. As meninas da nutrição tentavam me animar mas eu já não conseguia responde-las, eu apenas passava e sinalizava com a mão. O número 47 conseguiu me passar e faltava menos de 1 volta para ele me alcançar, mas outro competidor que estava em 5º lugar deixou para a ultima hora seu fôlego e passou o número 47 e estava a menos de 200 metros de mim. Neste momento eu não podia aumentar meu ritmo meu corpo nem minha mente não tinham controle sobre o meu ritmo, assim o competidor que estava em 5º lugar passou para o 4º e depois me tomou o 3º lugar. Pra mim já era uma vitória estar completando, agora de 3º caí para 4º mas o número 47 ainda continuava na minha cola e ele não poderia deixá-lo passar. Nos últimos 30 minutos a distância chegou a ser de 150 metros, entre eu e o número 47, ele estava usando uma força do além e era visível que ele estava com cãibras e dores por todo o corpo. Ele conseguiu impor um ritmo mais rápido que o meu e se ele continuasse desse jeito ele iria me ultrapassar. Faltando 20 minutos liguei o resto do “turbo” e ao mesmo tempo a “luz do óleo” piscava dizendo que o “meu motor estava quase fundindo”, mesmo assim consegui aumentar minha distância para 400 metros e daí por diante fui correndo mais olhando para trás do que para frente. Na minha penúltima volta sei que passei pelas barracas de Staff correndo com uma perna só, a outra perna eu não conseguia dobrá-la pois estava com cãibras era impossível de flexioná-las. Lembro de ter escutando umas pessoas da equipe do número 47 falando pra eu andar, ou seja, andar para o atleta deles me ultrapassar. Mesmo assim “corri rastejando” até soar o sinal de que havia terminado às 6 HORAS de Ultramaratona. Quando o sinal soou, deitei no chão e chorei de emoção. Sem palavras sobre o que eu senti neste momento.........................

criado por eugenio_reis
20:38:44• 15hs às 15:30hs – Novo objetivo – Neste momento da prova eu continuava em 3º lugar e todas as vezes que eu passava em frente aos Staffs dos corredores notei que o pessoal que apoiava o número 47 ficava me observando e às vezes escutei diversos comentários como: “esse ai é o cara que ta na frente dele”, “ele ta na frente uma volta e meia”, “ele ta com cara de cansado agora o nosso atleta pega ele”; “agora diminuiu a distância para menos de 1 volta”. Essas frases me fizeram ficar mais atento e não perder o número 47 de vista e definir que meu objetivo agora era chegar na frente do número 47 custe o que custar. As dores musculares chegaram a tal ponto que uma determinada hora eu tentei alongar e ao invés de melhorar piorou aumentando as cãibras, dores nas costas, nas panturrilhas, nos dedos dos pés, nos braços (de tanto ficar na posição de corrida), no quadril, ou seja, em tudo!!!

criado por eugenio_reis
20:37:21• 14hs às 15hs – Paradoxo da dor – Faltando “apenas” 2hs para o fim da corrida o cenário era o seguinte, eu estava em 4º lugar, 1 volta atrás do 3º lugar (número 47) e na frente umas 3 voltas do 5º lugar. Minha meta era pegar o número 47 de todo jeito. Pedi meu Staff para identificarem quem era o número 47 e quando me mostraram vi que ele estava 1 volta e meia na minha frete. Esqueci minhas dores que eram cada vez maiores e passei por ele, agora faltava dar 1 volta para estarmos de igual para igual. Lá pelas 15h30m consegui ultrapassá-lo e pra ainda consegui dar outra volta. Assim retomei o 3º lugar e com uma vantagem de 1 volta e alguns metros a frente do número 47. Neste momento as dores em todos os corredores eram visíveis, e tinham diversos atletas sentados, outros ficavam muitos minutos na fisioterapia, e outros andavam. Acabei andando em alguns momentos mas eu estava numa “sinuca de bico”. Meu corpo queria mais oxigênio, mas quando eu respirava fundo que me dava uma dor na região do coração e se eu andasse para não ter que respirar fundo eu sentia cãibra na panturrilha e no quadril.........sinistro....um paradoxo de dor!!!! Assim optei por ficar num trote de 7km/h e claro de olho no número 47.

criado por eugenio_reis
20:36:21• 13hs às 14hs – O início do inferno – Sem esparadrapo e com as dores musculares começando a atacar resolvi ir até a barraca da fisioterapia para me alongar rápido e tentar conseguir um “band-aid” ou coisa parecida. Fiz uns alongamentos com uma fisioterapeuta e não consegui nada para cobrir minhas bolhas que já estavam num estado avançado. Eu pensava a todo o momento que se as bolhas arrebentassem seriam ser um fator que me tiraria da corrida. Assim perdi mais tempo e fui ao banheiro e até a ambulância, que graças a Deus fez um curativo cobrindo minhas bolhas com gases e esparadrapo. Voltei a correr e os problemas das bolhas já eram coisa do passado, agora era eu contra minha mente e meu corpo, só isso??!! Com 3h30m de corrida a dor na panturrilha esquerda era forte e tive que parar e fazer uns alongamentos de 1 minuto. Enquanto eu parava para resolver meus problemas, os adversários da minha categoria (Masculino de 18 a 29 anos) continuavam correndo e isso no fim das primeiras 4hs de corrida fez a diferença. Terminei a quarta hora com 39km corridos.

criado por eugenio_reis
20:34:14